Do Fundo do Gavetão # 7: Enquanto Você Dormia – Sandra Steffen

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ENQUANTO VOCÊ DORMIA – Sandra Steffen

Day by Day

Bestseller nº 74 – Editora Nova Cultural

2002

DESESPERO OU TRAIÇÃO? A adorável Maggie Mckenzie tem tudo o que queria: um marido, amoroso, duas lindas filhas e sua irmã, Jackie sua amiga e confidente. Quando sofre um acidente de carro e entra em coma, Spence e Jackie se revezam no hospital e recusam- se aceitar o pior. Praticamente desenganada, Maggie permanece inconsciente por meses. Certa noite, cedendo ao desespero, Spence e Jackie buscam consolo nos braços um do outro. Quando toda a esperança parece perdida, Maggie sobrevive e se recupera aos poucos. Mas tudo havia mudado em sua vida, e sua luta agora é pela reconquista do amor das filhas e do marido. Afinal, o mundo continuara a girar sem ela, mas Maggie quer recuperar o tempo que perdeu e tudo o que se foi com ele. Um ar de mistério, porém, paira ao redor de Maggie, mas ela não consegue desvendar exatamente o que é. O que acontecera enquanto ela estivera em coma?

Resolvi desenterrar esse livro das profundezas mais sombrias da literatura florzinha e fiz uma releitura bem rápida do dito cujo especialmente para fazer essa resenha que já aviso, tá grande, rs. Esse livro foi grande responsável pelos debates mais acalorados nos grupos de literatura que participo, e com razão viu… vai ser polêmico assim lá na PQP!!

Nem sei porque não falei dele aqui no blog ainda… não pera… sei sim… porque fiquei com um ódio tão grande dele que não quis mais nem chegar perto, kkk. Agora, mais velha e mais sábia, resolvi evoluir, dar uma chance, e de forma muito phyna e composta, colocar em palavras o que acho dessa caralha desse livro.

Ah, mas você ainda não conhece esse livro, ainda não leu, nunca ouviu falar? Ah, pessoa sortuda você, hein? rs. Este não é um livro para as fracas de estômago, isso posso adiantar. Isso faz dele um bom livro? Até mesmo um ótimo livro? Sinceramente não sei dizer. Mas que essa história vai ficar gravada na sua memória, ah, isso eu garanto!!!

Então vamos começar com uma introdução bem leve, levinha mesmo, do que se trata essa bagaça, (ok, tudo bem, respira Gisele) quer dizer, esse livro. Podemos começar assim: de todas as coisas que um mocinho poderia fazer na vida literária, com certeza, CERTEZA, transar com a cunhada enquanto a mulher está em coma no hospital NÃO É uma delas. #prontofalei.

Ok, não se preocupem, isso nem é spoiler. Esse fato você já viu aí na sinopse, a questão que norteia toda a história. Assim, pra quem sempre faz aquelas perguntinhas básicas de “tem traição” ou “tem final feliz”, já respondo: traição, óbvio. Se tem final feliz? Bem… o quão feliz você acha que um final pode ser depois de uma cacetada no meio dos cornos como essa? Não sei… pra mim, que adoro uma mocinha que faz o mocinho rebolar antes de perdoar, o final não foi nada, nada satisfatório. Real, mas não satisfatório. Compreensível, mas não satisfatório. Óbvio, mas não… ah, vocês me entenderam, rs.

Mas temos que colocar um pouco de foco aqui, afinal por mais chocante e revoltante que a coisa seja, a história não se trata da traição em si, mas sim o quão forte pode ser o amor entre um casal, a ponto de superar – ou não – uma coisa que deixa uma marca tão profunda assim? O quão abnegado, quão forte você poderia ser? Seria o suficiente para perdoar, esquecer e seguir em frente com o relacionamento? Seria mesmo possível?

Fazemos todas essas e outras perguntinhas mais ao longo da leitura. Mas, só pra aumentar a discussão, deixa eu colocar tudo dentro do contexto.

A história gira em torno de Maggie, dedicada mãe de 2 meninas casada com Spence, e que levam uma vida perfeita, linda, cor-de-rosa. Não há problemas ou desentendimentos entre o casal, e até a vida sexual vai às mil maravilhas. Até que um belo dia Maggie sofre um acidente e entra em coma. Então, a irmã dela, Jackie, uma moça solteira e super dedicada a irmã e a sua família, se dispõe a vir e cuidar deles durante esse tempo sem nem titubear. Os dias se passam, Maggie não acorda, e ambos começam a entrar numa onda de desânimo e depressão. E aí, numa noite em que Spence tinha enchido a cara e começou a rever vídeos dele e Maggie juntos e felizes, na sala de sua casa com a companhia de Jackie, o desânimo bateu tão forte, a depressão foi tão grande, mas tão grande, que Spence… fica de p* duro…

É o desespero né, gente, releva…

E Jackie? Bem, também estava no mesmo estado desesperado, ou melhor, em meio a uma “névoa profunda de desespero” (para parafrasear a escrita da autora no momento do vamos ver), e é assim, no meio da “névoa” que ela vai sentindo uma mão apalpando os peitos, as coxas, a periquita… e então olha só, ela fica alegre, afinal, percebe que não está sozinha, que alguém está tentando consolá-la…

É a névoa né gente, releva (2)…

E então uma coisa vai levando a outra, que vai levando a mais outra, que vai indo mais fundo (literalmente) até que, de repente, vem o famosinho sexo de consolação. Os dois estavam tão pesarosos, tão abatidos, que precisavam de algo para “celebrar a vida”, ou sei lá que papinho que usam pra essas horas. Enfim, tudo acaba rapidinho e aí bate aquele climão. E agora? O que aconteceu? O que fazer?

Bem, temos que dar um crédito mínimo (mínimo, mínimo meeeesmo) aqui pro Spence, que no meio ao desespero alcóolico pensou que a Jackie fosse a irmã dela… mas aí ele depois ele zera todos esses pontos mínimos que tinha conseguido comigo quando chega a cogitar, nas hipóteses do que fazer se Maggie morresse, se se casaria de novo, e com a cunhada. Já a Jackie… bom não tem como usar a mesma desculpa, a não ser pelo tal do desespero, pois ela estava muito sóbria. Deveria ser a “embriaguez do desespero” né gente, releva (3)…

Mas o negócio era que o fato já estava consumado, não adiantava mais chorar. E é nesse momento, em que estão destrinchando as suas culpas, que o telefone toca, trazendo a notícia de que Maggie tinha acabado de acordar do coma.

Mais uma vez, e agora? E o que aconteceu? O que fazer?

A partir daí a história dessa família, desse segredo, e das suas consequências vão seguindo e tomando rumos bem dolorosos. Sim, consequências, pessoal. Porque se você acha que um problema não pode piorar, vem a vida e ri bem in your face. Porque a coisa sim, piora e muito, pois Jackei fica GRÁVIDA! #prontofalei 2. Isso aí: marido transa com cunhada enquanto esposa está em coma, esposa acorda do coma, cunhada fica grávida. Reflitam, rsrsrs.

Mas isso poderia ser considerado um spoiler? Até que poderia. Mas eu ia ficar sem comentar um negócio desse aqui? Nem lascando!! Rs.

Porém não se preocupe, isso que falei não vai comprometer a experiência. Muita água rola debaixo dessa ponte e muita baixaria também. Afinal, isso é basicamente um episódio escrito de “Casos de Família” completinho, sem tirar nem por. Vai ter muito drama, vai ter muitas brigas, discussão, gritaria e confusão nesse parquinho aí. E no meio de tudo tem a gente, pobres leitores, passando muita, mas muita raiva! Eu mesmo quase mandei esse livro janela abaixo em uma certa parte onde rola tapa na cara… afff, estava pra transpor as páginas dessa bagaça, entrar no livro e dar uma surra de cinta nos três!! Rsrs.

Mas no final das contas, vamos lá, fazer um exercício de desapego das emoções e analisar a obra em si. O livro é muito bem escrito? É, sim. A autora descreve bem as cenas, as personalidades de cada personagem.

E a história, é bem desenvolvida? Bom, pode-se dizer que sim. Como é narrado em 3ª pessoa, a autora consegue passar bem as emoções e os pensamentos de cada um dos personagens.

O negócio é que você toma as dores da Maggie e começa a passar raiva demais. Mas fazer brotar a nossa raiva e levantar nossa bile pode ser até considerado um ponto positivo, pois creio ser esse o objetivo de um autor ao escrever um livro, não é? Mexer com nossas emoções, nossas paixões, nosso senso de certo e errado e nos fazer ter discussões profundas e, quiçá, analisar nossos próprios sentimentos e pensamentos. Como disse lá no começo, esse livro trouxe uma boa discussão lá nos grupos de leitura que participo, e isso foi bem legal. Poucos foram os livros que nos tocaram tanto a esse ponto, de ficar cravado na memória que até hoje. Acho que pode ser indicativo de obra relevante: que instiga a discussão, que marca os seus leitores. Aquela coisa né, falem mal, mas falem de mim, rs.

No final das contas, não vou, de fato, fazer uma recomendação, apenas um aviso: leiam por sua conta e risco. Apresentei meus argumentos aqui, então a decisão é de vocês. Não quero ser culpada pela úlcera alheia, rsrs. É uma leitura visceral, que mexe muito com nossas emoções, que fica gravada na nossa cabeça. E olha que isso é um simples livrinho de banca, e causou essa comoção toda, vejam só, rs. Recomendo para aquelas que curtem um bom drama, um livro com pessoas reais, emoções reais e finais reais, e que gostavam de assistir Casos de Família do SBT, porque esse livro é bem isso, rsrs.

Beijos e até,

Gisele

 

 

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